Teoria da Conspiração ou Teoria Econômica?
Já teve aquela impressão de que todo mundo está falando de um mesmo assunto para acobertar algo importante que está acontecendo em segredo? 
Toda vez que o país inteiro se concentra em um único evento esportivo, ou em uma tragédia, surgem os teorizadores da conspiração. Copas do Mundo e quedas de avião, entre outros, são exemplos dessas situações onde toda a população conversa sobre a mesma coisa em casa, na escola e no trabalho.
A idéia central é de que a imprensa (ou o quarto poder) está se aproveitando da distração criada pelo evento para camuflar, como se fosse uma cortina de fumaça, algo que acontece com pouca ou nenhuma cobertura da mídia tradicional. Geralmente teorias da conspiração envolvem questões políticas, como uma lei sendo votada na surdina, acordos secretos ou extraterrestes sendo transportados de uma instalação governamental para a outra. :)
É interessante como quase ninguém presta atenção em outras teorias muito mais óbvias, como por exemplo a teoria econômica do mercado de notícias: as notícias são o produto desse mercado, os clientes são os leitores e quem paga a conta é o anunciante e para a publicidade geralmente o que interessa é a audiência. Obviamente cada publicação se esforça para despertar interesse dos leitores em assuntos que ela está produzindo com exclusividade, mas em algumas situações, como nesses eventos, as pessoas já estão <b>muito</b> interessadas em saber o resultado de um jogo ou as novas provas de um crime, então pra quê desperdiçar recursos (funcionários e equipamentos) para cobrir assuntos em que poucos estão interessados?
A dura realidade é que mais gente tem interesse em saber sobre os resultados olímpicos, que podem incluir brasileiros, do que sobre as baixas de uma guerra em um país que talvez nunca tenham ouvido falar. Mais interessados = mais leitores = maior audiência = mais anunciantes = maior faturamento.
Além de gerar maior faturamento, falar dos assuntos que interessam a maioria é também uma opção mais barata. Muita gente produz essas notícias apenas traduzindo ou compilando material que já é publicado no exterior. Para um jornal americano é mais barato colocar paparazzos atrás de atores hollywoodianos do que mandar um jornalista correspondente para uma área de conflito internacional.
Esse é um dos grandes medos de quem se incomoda com a monetização dos blogs, e na verdade é um receio que faz bastante sentido: quando escrever deixa de ser prazer e se torna uma atividade lucrativa, a grande maioria acaba falando dos mesmos assuntos que a mídia tradicional, pensando justamente na equação mais interessados = maior faturamento. O problema é que nem sempre mais interessados no que você escreve correspondem a mais leitores, principalmente quando esse leitor tem diversas outras opções na rede para ler sobre aquele assunto.
Apesar de todo o romantismo que ronda a profissão de jornalismo, na hora de pagar as contas e garantir a saúde financeira dos veículos em geral é a teoria econômica que manda. Acabei de visitar 7 páginas iniciais de grandes grupos de comunicação, 4 não tem nada sobre o conflito da Rússia x Geórgia, 2 tem notícias de agências internacionais, 1 tem um correspondente local. Todos já noticiavam o bronze de César Cielo nos 100 m livre minutos após o acontecimento da prova. E nos blogs? Pelo menos na maioria que eu acompanho os assuntos continuam bastante diversificados, faz um tempo que percebi que faz mais sentido deixar de ler quem é repetitivo do que ficar reclamando, felizmente ainda existe bastante diversidade na rede.


